Blumenau, 04 de Setembro de 2010
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CBPq em Revista Ano III nº 10 - setembro de 2.009
Depois de alguns meses sem dar as caras, a "CBPq em Revista" volta com um texto muito interessante escrito pelo Gui Pádua. Trata sobre Wing Suite, uma modalidade que vem crescendo forte a nível mundial e que no Brasil também tem ganho muitos adeptos ultimamente. O uso de wing suites requer conhecimentos de segurança diferenciados, o Gui, atleta bastante experiente, nós dá excelentes dicas em uma linguagem direta e muito empolgante. O texto abaixo esta EXATAMENTE da forma que ele escreveu sem NENHUMA edição. Aproveitem....
Wing Suite - Dicas de Gui Pádua
Escrevi um pouco da minha opinião em relação a segurança e formas de inciar na modalidade do WINGSUIT, sem compromisso com outras formas de pensar que provavelmente existam por ai, mas respeitando as dificuldades existem para esse início com segurança a sí e principalmente aos outros.
Espero poder ajudar dividindo um pouco da minha história e aprendizado com vocês...
Meu primeiro contato com o Wingsuit foi em 95, ainda quando o WingSuit era uma simples idéia no papel, na mesa do Patrick De Gayardon na casa dele em Taillard na França.
Ele fez um primeiro protótipo das asas, e depois costurou-as em um macacão antigo de TR. Ficou ruim de voar, as asas não ficaram grande coisa, e não existia sistema de CutAway para as asas do braço. Só tinha o zíper em cima do braço mesmo! Inteiro branco, com alguns detalhes em vermelho...
Mas o fato das asas serem infláveis e pressurizadas foi o que fez a diferença!
Logo em seguida, fez outros dois macacões, dessa vez com asas simétricas e um pouco maiores, com um sistema muito precário de CutAway, similar a um sistema de 3 argolas na parte de baixo da asa do braço, próximo a linha de cintura, e foram os primeiros macacões Brancos e Laranja, o qual eu tenho um guardado até hoje.
Começamos a saltar e testar todo tipo de vôo possivel, dando loopings, barrel, voando em ala, cruzando, de dorso e tudo o que podíamos imaginar naquela época...
Foi num dia desses que o Patrick me contou sobre os planos dele de reentrar o avião usando o macacão. Lembrando que isso foi em 95 e desde então, ninguém conseguiu repetir o feito!
Posso dizer que fui o primeiro a saltar de Wing Suit com uma camera na cabeça...Não que eu quisesse fazê-lo, mas fui praticamente obrigado pelo Patrick que queria saber se a asa dele, estava totalmente inflada, ou não...
Foi nesse primeiro salto com camera, provavelmente meu salto de numero 20 com o macacão que eu tive a primeira pane com o macacão e resolvi "DAR UM TEMPO".
Tive um "Line Twist", no meu Styletto 135 branco e laranja, novinho na época, com provavelmente 04 ou 05 saltos, e pra poder alcançar os tirantes desconectei a parte de baixo da asa que era um sistema de 03 argolas liberada por um cabo amarelo de Teflon...
A Asa não desconectou e vou dizer que o desespero "quase" bateu...Não sabia o que fazer direito, dei algumas cotoveladas que não adiantaram nada e então desconectei o meu Styletto novinho!!! Tristeza, mas assim que o reserva saiu do container, deu uma folga e a Asa soltou e consegui movimentar o braço!!!
Pousei muito bravo com o Patrick, xingando mesmo!!! Disse que aquele negócio não tinha funcionado, que nunca mais ia saltar com aquilo e quantas vezes ele tinha testado aquele sistema...
A resposta:
_Nunca testei, mas você acabou de testar e agora sabemos que não funciona muito bem!!! e saiu andando dando risada da minha cara...
Aprendi nesse dia que:
O responsavel pela sua vida e seus atos, é você e mais ninguém!!! Pois quando você está sozinho lá em cima, só você sabe do que é ou não capaz de fazer pra se safar de problemas inesperados...
Enquanto está tudo bem, está tudo bem!!! e quando não está bem, como é que você vai reagir?
Fiquei uns tres dias muito bravo, mas aos poucos foi passando e acabei voltando a saltar com o danado do macacão!!!
Porém, foi esse fato inesperado, que me fez não querer participar do projeto que o Patrick fez de entrar voando no Grand Canion, onde os dois cameramans que aceitaram ir no meu lugar, sofreram acidentes gravíssimos, foram removidos de helicoptero e ficaram em COMA por semanas ou meses. Quando ficava sabendo dos acontecidos, eu olhava pro céu e resava, agradecendo não ter aceitado o trabalho.
A verdade é que ninguém era capaz de fazer o que o Patrick fazia, e quando tentavam, acabavam sofrendo acidentes por diferença de qualidade técnica mesmo.
Por isso aprendi verificar cada salto com calma, e não fazer aquilo que você tem duvidas de que está ou não certo!!! Essa ATITUDE em relação as situações onde você não sabe o que fazer é o mais importante.
De lá pra cá, muita coisa melhorou...hoje em dia o CutAway funciona o que é muito bom... as asas foram testadas em diferentes tipos de vôo e performance, de penhascos e de aviões...
Só quero que essa modalidade continue crescendo, com responsabilidade, com bons exemplos, quebrando recordes, mas com segurança sempre...
Por isso estamos aos poucos desenvolvendo algumas normas para auxiliar a formação de atletas no Brasil, que por ser um país de dimenssões continentais, fica dificil controlar tudo de Norte a SUL, por isso com uma "cartilha do WingSuit", muita coisa será facilitada, outras coisas serão cobradas, e nunca vamos parar de evoluir junto com a modalidade, mudando essa cartilha anualmente se for preciso.
Rapidamente, nessa carta gostaria de dividir com vocês algumas opiniões e metodos que eu adoto nos meus 3.000 saltos de WingSuit, de 95 pra cá...
Metodos de como equipar, como se portar no avião, como dobrar o paraquedas, qual pilotinho usar, como dobrar o paraquedas, como se faz uma curva, um Barrel, um voo em formação, separação em salto grande, saídas de diferentes aeronaves, saída solo e saída em grupo, altura de comando, e muitas outras coisas, que na minha opinião, será muito melhor assimilada por todos ouvindo uma história de fato já ocorrido, do que se eu simplesmente escrever um monte de regras sem explicar o porque das coisas.
Vou começar de baixo pra cima, e depois quando chegar na porta do avião agente começa a descer de novo...
Qual Wing Suit Comprar?
Compre um Wing suit fabricado pra voce! Antes de mais nada o WINGSUIT deve ser considerado uma asa e nao um simples macacao. Cuide da sua Asa, dobre-a com cuidado e guarde em local seco e protegido de humidade.
Existem algumas marcas 100% dedicadas a fabricação e teste de Wingsuits. Eu particularmente, testei TODAS as marcas e tenho 08 wingsuits diferentes e por isso posso opinar.
Minhas marcas de preferencia pelo Vôo, durabilidade, estabilidade e manobras, estilo, disponibilidade de cores, tipo de tecido, prazo de entrega, modelos diferentes, são...
1- www.flyyourbody.com fabricado pelo Loic Jean-Albert, que na minha opinião é o melhor Wingsuit flyer do mundo e que em 1995, costurava os wingsuits pro Patrick na França, quando tinha 15 anos de idade.
O ponto forte é o design e o material que o macacão é feito. Existem modelos para diferentes níveis de experiência.
2- www.phoenix-fly.com Fabricado pelo James Boyle é excelente pra BASE Jump, e alguns modelos para saltos de avião. Não é bom para saltos muito longos, pois a expessura mais grossa da asa, exige mais esforço para o vôo mais demorado.Também existem modelos para diferentes propositos de vôo. O Vampire3 é bom para BASE jump, mas eu acho muito pesado para vôos acima de 10.000 pés, perdendo muita performance do começo para o final do salto.
3- www.matterclothing.com é fabricado em Empuriabrava na Espanha. Tenho dois, e gosto muito do design, do vôo, e do modo fácil de equipar e se vestir. O tecido é inferior ao Flyyourbody, mas o Design, muitos dizem que é cópia!
Os outros macacões, já voei, testei, e eu sinceramente não acho interessantes, principalmente pelo modo ultrapassado e confuzo de montar o macacão e de acoplar o macacão no equipamento.
Qual Paraquedas usar?
Eu já saltei muito de Styletto, muito de Velocity, mas já tive muito Twist e panes até ficar esperto...
Hoje eu salto com um velame de BASE jump de 220 pés, o ACE220 que é vendido pela www.crmojo.com e o velame é costurado pela PD na Flórida, portanto a qualidade é IMCOMPARAVEL, com qualquer outro paraquedas do mercado. Boas aberturas, bons pousos em qualquer lugar, segurança em qualquer salto e qualquer pouso, te dá tranquilidade pra fazer qualquer vôo bem feito. Concentre-se no que você realmente pretende fazer naquele salto, sem se preocupar com o equipamento.
Qual equipamento usar
Eu salto de Javelin modificado na aba traseira, para que a bolsa não fique presa no container, visto que a abertura do paraquedas nos vôos de Wingsuit são na Horizontal e não na vertical. Se você não fizer a modificação (pode ser feita em todos os modelos de equipamento), e começar a ter Twists consistentemente nas aberturas, já sabe que é por isso.
Qual pilotinho usar?
O Pilotinho normal, varia de 28 a 32 polegadas. é muito pequeno pra saltar de Wingsuit, onde a velocidade na hora da abertura é menor, e o vento relativo também.
Eu salto com um 38" retratil, que você pode instalar na bolsa de qualquer equipamento. Isso garante uma boa extração do velame e bolsa do seu equipamento.
A bridle que liga a bolsa ao topo do velame de medir pelo menos 10 pés, para que o pilotinho não fique estagnado na sua "burble" durante a abertura horizontal do paraquedas.
Esse é um dos principais fatores de PÉSSIMAS aberturas nos saltos de WingSUIT...
Qual a altura de comando?
Em saltos normais com um paraquedas proprio para o salto de Wingsuit, como o meu, velame de tamanho grande, com pilotinho grande, você pode comandar o seu paraquedas com segurança a 2.500 pés. Se vc estiver usando um Styletto, ou Velocity, acho melhor abrir a uns 4.000 pés...Você perde 20 segundos de queda livre...a escolha é sua...
Comando do paraquedas?
Não encolha pernas, braços, asas!!! O paraquedas precisa de velocidade para abrir, e ninguém avisou pra ele, se a abertura será Horizontal ou Vertical, portanto acelere ao máximo no tracking no momento da abertura, esconda as duas mãos no BOC, e daí sim extraia o pilotinho do lado direito, voltando as duas asas para a posição inicial inflada!
Como equipar?
a area de dobragem, com carpete é sempre um bom local para equipagem. Livre de objetos e fácil de sentar no chão.
Alguns modelos com dois "zippers", facilitam a entrada. Não esqueça de apertar bem os tirantes de perna, de foram simétrica (faça marcas de caneta piloto se for preciso), para que não influencie negativamente na abertura.
Certos modelos, são muito mais fáceis de equipar e fáceis de acoplar no equipamento do que outros, o que pode ser útil no dia a dia de saltos na área.
Embarque e atitude no avião
Procure sentar em local onde as asas não atrapalhem outros a bordo. Prefira o fundo do avião, pois facilita a saída com o wingsuit em caso de emergencia na aeronave.
Embarque 100% pronto! Não deixe para se equipar no avião!
Isso aumenta o risco de abertura prematura dentro e fora do avião, e vai te deixar ofegante quando o seu cérebro mais precisa de oxigênio, que é a hora da saída.
Reta de saída
Wingsuit sempre sai por ultimo. Seja de Nariz, de Calda, de Travez, saia por ultimo e faça de tudo pra chegar proximo a area de saltos, sem se esquecer que abaixo dos 4.500 pés você vai encontrar paraquedas abertos, que pelo fato de você estar a 200km/h, pode te surpreender e o acidente desse tipo não é muito agradável.
Por esses e outros motivos, saltar com um paraquedas maior, te trás calma pra pousar em qualquer lugar e chegar mais longe caso haja necessidade.
Saída diferentes aeronaves
Eu gosto de sair sentado, de costas para a hélice, e mandar um meio-backloop em seguida. Dessa forma você sai olhando para o profundor do avião, não correndo o risco de inflar as asas na porta e bater com a cabeça no fundo do avião (pricipalmente pessoas leves). Esse tipo de acidente comromete a vida do "babaca" em questão e de todos os outros dentro da aeronave.
Portanto, preste atenção no profundor!!!
Posição de vôo
O vídeo é sempre um grande auxiliar nos primeiros saltos de wingsuit. As vezes agente acha que está comas pernas retas e não está, as vezes achamos que o peito está bem curvado, e não está, e por aí vai...
A verdade é que quanta mais ar você consegui reter, e quanto mais esticada a sua asa estiver, mais tempo você vai voar, e melhor será a performance da sua asa em relação as outras.
O vôo deve ser esticado mesmo, e nivelar por cima, e não voar com pernas encolhidas pra esperar alguém... esse é o grande problema de vôos em foemação com dois ou mais paraquedistas...
As pessoas acabam nivelando o vôo pelo menos experiente do grupo, esperando que ele se aproxime, retardando muito do vôo de outros companheiros.
Procure saltar com um instrutor ou parceiro, mais experiente, principalmente nos primeiros saltos...
Emergência no avião
O fato de saltar perto da porta ajuda bem, para facilitar a sua movimentação na aeronave em caso de saída imediata. Esse também é um dos porques de subir no avião PRONTO para o salto.
Se estiver de velame de BASE JUMP então...melhor impossível...Sai e comanda o principal...
Se estiver com velame comum, desconecte o braço e saia com o punho do reserva na mão... Mantenha as pernas fechadas para que a asa inferior não seja inflada...sai do avião e comanda o reserva...
Emergência em queda livre
Antes de comandar qualquer punho do reserva , desconecte a asa!!!
Isso vai te dar liberdade e não te colocará em situação de descontrole. Lembre-se de segurar os dois punhos, um com cada mão antes de fazer o procedimento de emergencia. Lembre-se, agora você não é um freeflyer ou relativista e sim um Wingsuit Flyer...revise o modo do seu procedimento de emergência, e se adeque ao melhor modo pra você...
Pane no Principal (procedimento)
Desconecte as asas e depois faça o procedimento normal...
Separação do salto
Normalmente feita por volta dos 4.500 a 3.500 pés dependendo do nível de experiência e altura de comando dos participantes do salto.
Curvas em vôo-
Parte superior do Torso, olhando antes para o local onde você quer chegar, muita velocidade horizontal e vertical subitamente, com respostas 05 vezes mais rápidas do que em um salto de TR, podem causar acidentes graves caso exista colisão em queda livre.
Aproximação de uma formação
A aproximação pode ser feita como Diver ou Floater (exatamente como nos saltos de Formação em Quedalivre), lembrando de respeitar os corredores de aproximação e as margens de segurança estabelecidas pelo organizador do salto para evitar ao máximo o risco de colisão.
A saída do avião pode ser mais espassada, visto que grandes distâncias horizontais são rapidamente cobertas com o wingsuit.
estou a disposição para responder duvidas na medida do possível e organizaremos no futuro alguns Training Camps para que a modalidade cresça de forma segura e divertida para todos.
Paz, Amor e queda livre a todos e bons saltos...
Gui Pádua.
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